Concept of creative mind with colorful effect

De acordo com o senso comum, algumas pessoas são naturalmente criativas, ao passo que a maioria de nós só é capaz de ter alguns poucos pensamentos originais. Certos indivíduos nascem para liderar e todos os outros são meros seguidores. Alguns conseguem exercer um impacto

real no mundo, mas a maior parte não.

 

A verdade é que isso não existe! Todos nós podemos aprimorar nossa criatividade! 

Mas afinal, quem é você para falar que isso não existe? Esta introdução foi desmistificada cientificamente pelo Psicólogo Organizacional Adam Grant. Anos atrás, os psicólogos descobriram que existem 2 tipos de caminhos para a realização: conformismo e originalidade.

Conformismo significa seguir a onda, multidão, percorrendo os caminhos convencionais e mantendo o status quo. Originalidade é tomar o caminho menos trilhado, defendendo um conjunto de ideias novas que contrariam o pensamento corrente mas que, no final, resultam em algo melhor.

Vivemos em um reality show muito similar aos jogos de video game que nos são apresentados. Nascemos sem nada, e precisamos ir “evoluindo”, completando missões difíceis, atingindo níveis de experiência diferenciados com um grau de destreza elevado. Tudo isso pra que?

Se ousamos não seguir as regras do jogo, somos eliminados do game. Voltamos a fase inicial e deixamos de estar no padrão exigido. Mal ou bem, este estilo de vida é muito similar ao que vivemos.

Peguemos como exemplo nossas escolas. Pesquisas demonstram que as crianças mais criativas são aquelas menos inclinadas a se tornarem as favoritas dos mestres.

Em um estudo, professores do ensino fundamental listaram os alunos de que mais gostavam e os de que menos gostavam, e então avaliaram ambos os grupos segundo uma série de características.

Os estudantes menos queridos eram os inconformistas, que faziam as próprias regras. Os professores costumam discriminar os estudantes altamente criativos, rotulando-os como criadores de caso. Em reação a isso, muitas crianças aprendem depressa a seguir o roteiro, guardando suas ideias originais para si.

A prática leva a perfeição, mas não ao novo! Muitos alunos brilhantes deixam de usar suas competências diferenciadas para seguir um sistema de ensino ortodoxo e secular. Pensar fora da caixa é errado! Qual a mensagem que você esta passando para seus filhos? E seus alunos? E seus colaboradores?

A maioria de nós acaba seguindo essa trilha inconscientemente. Dominamos nosso trabalho sem questionar os padrões e sem provocar rebuliço. Em todas as áreas nas quais se aventuramos, optamos pelo caminho mais seguro, seguindo os passos “convencionais” para o sucesso.

Criamos médicos que curam seus pacientes sem lutar para corrigir os sistemas falidos que impedem muitos pacientes com os custos de um tratamento de saúde. Temos o plano de saúde mais caro do mundo! Alguém critica isso? Ontem mesmo fiquei mais de 60 minutos para apenas trocar de plano…

Criamos advogados que defendem clientes da acusação de violar leis arcaicas sem tentar modernizas as leis propriamente ditas. Criamos professores que planejam aulas interessantes de álgebra sem questionar se álgebra é mesmo o que os alunos precisam aprender. Embora confiemos neles para manter o mundo girando, eles nos fazem correm e uma esteira, sem sair do lugar. 

Façamos uma reflexão. Quando foi a última vez que apresentou uma ideia diferenciada para seu chefe? Quando foi a última vez que se interessou por uma ideia diferente de seu filho?

O que acontece quando se propõe isso? Veja bem. Adoramos a sua ideia, mas isso não é política da nossa empresa… Nossa filho, que legal. Agora volte a estudar pra ser alguém na vida… Inconscientemente, você está minando, destruindo a originalidade, criatividade de alguém que pode transformar a realidade que vive.

E pra piorar, vem a motivação para o sucesso. Quando ela chega às alturas, ela abafa a criatividade. Quanto mais você valoriza a realização, mais tem medo do fracasso. Nas palavras dos psicólogos Todd Lubart e Robert Sternberg – “ a partir de um nível intermediário de necessidade de sucesso, há evidências de que as pessoas se tornem de fato menos criativas”.

O anseio por ser bem-sucedido, acompanhado do medo do fracasso, deteve alguns dos maiores criadores e agentes de transformação da história. Preocupados em manter a estabilidade e alcançar realizações convencionais, eles relutam em perseguir a originalidade.

Defender novos sistemas com frequência requer derrubar o modo antigo de fazer as coisas, e nós hesitamos porque temos medo de balançar demais o barco…

Encontramos modos superficiais de parecer criativos – uma gravata borboleta, talvez, ou sapatos vermelhos brilhantes – sem assumir o risco de sermos efetivamente originais de fato.

Quando tratamos ideias poderosas que temos na cabeça e dos valores essenciais que trazemos no coração, optamos pela autocensura. “Se há tão poucos originais na vida é porque as pessoas têm medo de levantar a voz e sobressair” – afirma Mellody Hobson, CEO da Ariel Investiment e Professora de Princeton.

Você se sente um peixe tentando subir em uma árvore?

Texto de Vicente Vuolo Jr, publicado originalmente em LinkedIn